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saabUm robô serpente totalmente flexível, capaz de acessar espaços confinados ou insalubres no interior da asa de um avião, no motor de um carro ou dentro de um submarino nuclear e um caça supersônico em subescala para testar tecnologias futuras das novas gerações de aeronaves de combate. Os dois sistemas compõem a lista de 26 projetos que a empresa sueca Saab selecionou para desenvolver com empresas e universidades suecas e brasileiras.

Os projetos foram escolhidos no âmbito da cooperação Brasil-Suécia em aeronáutica e defesa e da parceria no projeto F-X2, que prevê o desenvolvimento conjunto de 36 caças supersônicos Gripen NG para a Força Aérea Brasileira (FAB). Mais de 10 empresas e 18 universidades de ambos os países discutiram, na semana passada, de que forma poderão participar dos projetos em um workshop organizado pelo Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (Cisb), realizado nas instalações do ITA, em São José dos Campos.

Embraer, Akaer e a Saab já estão envolvidas em vários dos projetos que farão parte de um portfólio de pesquisa, desenvolvimento e inovação em aeronáutica e defesa. O vice-presidente de Operações e Tecnologia da Akaer, Fernando Ferraz, disse que a empresa está trabalhando em parceria com a Intelectron (incubada do ITA) para terminar o desenvolvimento das funções básicas do robô serpente e, principalmente, das suas aplicações.

“Queremos participar do desenvolvimento de tecnologias que nos permitam ser competitivos no mercado mundial. Estamos envolvidos em cinco projetos com o ITA e a Saab”, disse. O robô serpente, segundo Ferraz, se encontra na fase de pré-demonstração de conceito e vai iniciar uma fase de desenvolvimento das funções básicas e das aplicações de interesse das indústrias.

“O objetivo é o desenvolvimento de um sistema de guiagem que permita aplicações mais dedicadas e diferenciadas, como a instalação de selantes e de prendedores em locais de difícil acesso para o ser humano”, explicou.

O robô serpente é o resultado de um projeto de mestrado que o engenheiro mecatrônico Lincoln Lepri, de 33 anos, desenvolveu com o apoio do Laboratório de Competência e Manufatura (LAM), do ITA, e que acabou dando origem à empresa incubada Eléctron. “O robô pode ser aplicado em diversas áreas. Fizemos um vídeo de demonstração de uso da ferramenta encomendado pela General Motors “, disse Lepri.

Outra aplicação potencial, segundo ele, seria em tarefas de inspeção de trincas estruturais em caldeiras termelétricas de plataformas de petróleo. “É possível até mesmo fazer uma versão miniaturizada do robô para funcionar em procedimentos de endoscopia médica”, explicou o engenheiro, cuja empresa está há um ano incubada no ITA. A versão atual possui 1 ,20 metro e pode acessar áreas confinadas de até 8 centímetros.

O mais importante desse tipo de projeto, segundo Lepri, é que a tecnologia foi desenvolvida no Brasil, o que mostra que o país tem capacidade para fazer produtos de defesa estratégicos com aplicação dual.

O coordenador da área de fluidos e sistemas mecatrônicos na Universidade sueca de Linköping (LiU), Peter Krus, disse que o projeto do avião em escala reduzida será coordenado no Brasil pelo ITA, mas contará com a participação da Universidade Federal de Santa Catarina e da USP de São Carlos.

A Saab e seu centro de pesquisa brasileiro (Cisb), de acordo com Krus, terão ainda o apoio de especialistas das universidades suecas de Chalmers e de Linköping e também do Royal Institute of Technology . Ele confirmou o interesse da Embraer no projeto.

“A colaboração bilateral vai permitir o desenvolvimento de um protótipo desse avião no Brasil para testar tecnologias que serão utilizadas num horizonte de 20 a 30 anos, envolvendo diferentes áreas tais como estrutura (novos materiais), propulsão, aerodinâmica, sistemas de bordo e sistemas de armas”, explicou. O avião demonstrador de conceito, afirma o pesquisador, é também uma forma eficiente de identificar e mitigar os riscos do projeto ainda na fase de desenvolvimento.

“Estudar os sistemas futuros dos aviões de combate é de alta relevância tanto para a indústria sueca quanto para a brasileira. Embora seja um projeto de pesquisa, ele também servirá para explorar as capacidades e os recursos que precisam ser desenvolvidos para a produção de uma aeronave no futuro”, disse o diretor de negócios futuros da área de aeronáutica da Saab, Lars Sjöström.

Fonte: Valor Econômico
www.valor.com.br